11 anos de idade, estava na aula de ginastica, o médico estava marcado pra depois da aula.
Era de tarde e a rua movimentada, me dirigi ao orelhão mais perto, o combinado era que ela atendesse o telefone e viesse ao meu encontro. Uma voz estranha do outro lado, um susto. Por um momento o desespero, uma sensação inexplicável invade meu corpo. A cidade fica muda, a única coisa que escuto são meus pensamentos, as pessoas em volta parecem estar em outro tempo. Entro em um taxi e volto pra casa.
Durante horas a espera junto com o desespero de não saber o que fazer. As lágrimas correm e me sinto completamente inútil. Não me lembro onde as pessoas estavam só me lembro da janela e o dia escurecendo. Uma pessoa aparece, junto com ela a esperança de noticias, nada. Apenas um abraço de uma amiga, o que naquele momento foi muito bem vindo. Depois disso não me lembro de mais nada naquela noite, acho que adormeci.
Já é dia e a casa está cheia, pessoas conhecidas e outras nem tanto.
Uma tensão no ar mas ninguém diz nada. O telefone toca...alguém o bate forte no gancho. Não foi preciso dizer nada.
Ela havia ido embora, sem se despedir...
O silencio invade a casa...interrompido pelo choro incessante daquele homem que a amava. Ah sim, como ele a amava...
Fui pega nos seus braços, estava assustada, meu heroi estava sem suas mascaras, ali na minha frente se entregando aquela dor...sentados na cadeira verde de veludo, ele me ninava e eu junto com ele apenas chorava. Alguém grita, desesperadamente...a porta bate, se tranca. A dor invadia cada um de nós...
E eu nem pude me despedir.
Hoje 12 anos depois, a dor não existe mais, apenas a lembrança, a saudade, o respeito e a gratidão por aquela pessoa que me trouxe ao mundo e enquanto pode me ensinou a ser alguém melhor...alguém que assim como ela sente um amor incondicional pela vida, pela familia, pelo ser humano...
Assim como ela me permito amar, perdoar, viver...
Raquel, que todos essas inocências, surjam textos lindos e sinceros como este.
ResponderExcluirPermitindo amar...
forte, dificil momento, que bom que aprendeu com ele - e vc, a menina que se tornou essa bela mulher e conquistou a cidade grande e é dona e si - vai la raquel, vai conquistar esse coração!
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